Flores de Outono


Há flores que nascem na Primavera,
Mas essas são as flores vulgares
Por onde todas as abelhas vão pousar,
E todos os odores vão libertar.

Mas também há outras flores
Aquelas que surgem no Outono,
Nos dias que se tornam mais curtos
E de um Sol timidamente quente,

Flores que desabrocham em nós
Um certo sentimento ressuscitado,
Perfumes de uma paixão adormecida.

Mas há flores que se escondem do Sol
Que temem em expor a sua beleza
A delicada textura das suas pétalas
Maravilhas desconcertantes...

Neste dia de mais um Outono,
Inspirei-me na magia deste ornato
E sinto uma fragrância suavizada
Que derramo levemente nestas linhas
Onde procuro declarar o meu júbilo
Pela descoberta de tão linda flor.







A sombra do lobo

O lobo que te uiva, segredando-te
Não apenas as tuas utopias
De instintos famintos, cruéis e doces
O lobo que te clama pela vida
Atemorizada e calada

E assim te soltas e corres num sonho
Numa floresta densa
Onde um lobo te segue os destinos
E todos os teus desatinos
De uma felina ferida na alma.
Por mais que ignores tal criatura
Ela te acarinha, em ruivos uivos
Constantes e marcantes.

Qualquer desatino...


Caíste-me na cama
E pensaste nos olhos meus
Fugiste-me da sombra quando viste o fogo... 
o desejo dos meus dedos.
Sôfrega contenda de almas
Para te reincarnar
Mas uma que quer subir,
Na tua luz... encorajada
Pelo guardião divino da tua mente.
Os olhos,
Que te deixam sem destino
As mãos,
Com que me tocas docemente
As janelas,
Que fecham tristemente,
O castigo,
O depois que não existe em ti,
Qualquer desatino...
Tu e o sorriso dos teus olhos.

Queimas tempo de mim

Queimas o tempo que te dão
Choras rindo nos teus versos
Desperdiças as horas em vão
Lágrimas escritas, sons dispersos.

Queimas o tempo que não tens
Declaras desejos que não sentes
Chamo por ti, mas tu não vens
Foges de ti e estamos ausentes.

Sorris na tua tristeza, de certeza
Dos preconceitos, desfeitos de vida
Dormes vestida e sonhas na tua nudez.

Só porque não te quero mais amar
Jurei, que de ti me esquecerei
Desisti, porque queimas tempo de mim.

Para ti...

Tremo, balanço ostensivamente
O teu aproximar desatina-me
O teu olhar fascina-me
Respiro profundamente
A tua distância, o tempo, o espaço
Quando vais, enfim... não sei o que faço
Invento um ou outro lamento,
Acelero o tempo
Quero-te de novo junto de mim
São momentos ternos, eternos
De afectos constantes
Sinto-me rejuvenescido
Em saber que não sou esquecido
Por ti...
Quero-te a meu lado, agora
Sinto a tua presença, a toda a hora
O teu cheiro,
Que em mim se entranhou.

Caíste-me na cama

Caíste-me na cama e pensaste nos olhos meus
Fugiste-me da sombra quando viste o fogo
... o desejo dos meus dedos.

A sôfrega contenda das almas
Que em ti se reincarnam
Mas, há uma que quer fluir
Subir, na tua chama...
Encorajada pelo guardião divino
Os olhos,
Que te deixam sem destino
As mãos,
Com que me tocas docemente
As janelas
Que fecham tristemente.

O castigo, o depois que não existe em ti,
Qualquer desatino
Tu e o sorriso dos teus olhos.

Amanheceu um outro dia

Amanheceu de novo
E acordou em mim
Este desejo imenso em ti
De te amar
O teu rosto acariciar
Diante a luz do teu olhar
A magia das palavras
Ternura, em vez de amargura
Paixão, em vez de desilusão.
Sublime desejo
Em cada beijo
Amanheceu um outro dia

Perversão transcrita

Aqui estou eu que te quero, espero
Sonhar sentado em forma que não deforma
Na tua luz minha, que tinha um certo verso
Contra dizente ou maldizente
Aqui sou eu, e tu e eu de novo
Amar deitado, desconcertado de prazer
No verso incerto de um poema prudente
Alguma história, mesmo que seja contraditória
Desvendaste a tua luxúria animal, afinal
Desgrenhada na rebelião das tuas agitações
Caminhadas alteradas, desvios e arrepios
Roupa molhada, um corpo despido, absorvido
Nos gemidos preteridos ou indecisos,
Mastigo-te no êxtase extenuante, mais adiante
Perversão transcrita, sensação maldita... acredita.

Profunda silhueta

Na profundidade de uma penumbra
A silhueta
De uma borboleta
Os contornos do teu rosto
Realça uma boca, apenas fechada
Que sustêm um grito
De vida
Na forma pura e bela
Asas de uma borboleta

Na penumbra da silhueta
Um olhar distante
Um pensamento errante
A vontade que sinto em ti
Que apenas me queres amar
Na delicadeza desse tímido sorriso
Nas profundezas do teu encanto
A borboleta,
Que te acentua a frágil silhueta
.

Respondo-te


Ondulados pelo teu corpo anestesiado
Esses poros que irrigam um aroma felino
Que se abrem e fecham ostensivamente
Calo-me, para te ouvir gemer
Um suave gemido saído com naturalidade
Ante uma respiração que se torna sôfrega

Respondo-te com beijos mordazes
E vou à descoberta da tua zona erógena
Enquanto te contorces no teu interior
Arrepiada e irrequieta, de dentes cerrados
Esforço-me para ter ver num êxtase brutal
Que está perto, sente-se nesse teu olhar
Que me envolve num prazer único
Enquanto nos unimos numa suave penetração.